Tuas mãos são sujas
Tuas intenções malfadadas
Olha nos olhos e mente sem pudor
E enganas quem te esperas
Falas que não fez quando fez
Juras que nunca teve quando teve
Prometes o que não podes cumprir
E ainda ri-se por dentro por enganar
Saibas que engana-te a ti mesmo
E corrói as tuas próprias entranhas
Dentro de ti há uma serpente velada
Que traçoeiramente há de morder-te o calcanhar
Tenhas pudor ao mentir
Tenhas verdade a falar
Tenhas amor aí dentro, contigo
Carregue coragem de mudar
Pois sentirás a destruição iminente
Vermes a corroer-te a alma
E deitar teu corpo sem vida
Num terreno hostil sem regresso
A chama da verdade tudo cura
E para sobrevivê-la é preciso crepitar
Renascer como fênix para um novo sol
Recomeçar novo ser: livre da corrupção.
quinta-feira, 6 de maio de 2010
terça-feira, 4 de maio de 2010
Irmão dos minutos, filho das horas.
Esquecer é um exercício
Que deve ser arduamente treinado
Porque coisas existem que merecem ser esquecidas
Pessoas há que prescindem de serem lembradas
Em especial aquelas que se sentem donas do tempo
E chamam os minutos de irmãos e as horas de mãe
E colocam o tempo ao seu favor, preterindo os outros
dos mesmos minutos e horas.
Esquecer tem que ser minuto a minuto
Porque o esquecimento tem que ser lento para ser real
Cada dia temos que entrar nesse exercicio.
Estou em um deles, talvez o mais difícil de todos
O esquecimento de uma etapa de vida, de fatos intensos
Que não foram adiante.
Compensa esperar? ou a espera é apenas uma espera?
Questionamentos fazem parte do exercício.
Tenho muitos deles.
Que deve ser arduamente treinado
Porque coisas existem que merecem ser esquecidas
Pessoas há que prescindem de serem lembradas
Em especial aquelas que se sentem donas do tempo
E chamam os minutos de irmãos e as horas de mãe
E colocam o tempo ao seu favor, preterindo os outros
dos mesmos minutos e horas.
Esquecer tem que ser minuto a minuto
Porque o esquecimento tem que ser lento para ser real
Cada dia temos que entrar nesse exercicio.
Estou em um deles, talvez o mais difícil de todos
O esquecimento de uma etapa de vida, de fatos intensos
Que não foram adiante.
Compensa esperar? ou a espera é apenas uma espera?
Questionamentos fazem parte do exercício.
Tenho muitos deles.
De noite no mato
Um pirilampo no escuro zagueia
grilos saltam de um lado para o outro
o pio da coruja torna a noite inquieta e sombria.
As folhas das palmeiras balançam como se chovesse.
No escuro tudo é mundo, tudo é incerto e cauteloso.
Qualquer ruído na palha do chão faz o coração bater acelerado e os olhos como faróis à procura de um vulto. Não sei se é melhor vê-lo ou imaginar que não foi nada.
Ao longe, em meio aos altos galhos passa uma fresta de luz da lua.
É Lua cheia. Causos existem sobre lua cheia. Vou parar de pensar neles.
Passa um morcego bem razante, tirando o pouco de tranquilidade de se andar .O barulho surdo da floresta à noite, misturado com todos os sons irreconhecíveis cria uma atmosfera bucólica e fantasmagórica...
Tenho que atravessar logo o escuro para chegar do outro lado
mas as pernas não se movem... Estou imóvel, esperando que talvez a noite acabe.
Faz pouco tempo que o sol se despediu... não tem jeito, é fugir do medo ou enfrentá-lo até o fim... Para fugir tenho que correr... para enfrentar tenho que ficar.
Que impasse, o coração saltitante não tem muita força pra decidir...
Vou pegar uma carreira e só parar quando tudo acabar...
O que pode acontecer? porque o escuro nunca é seguro?
Vai, vai, vai! árvores prenhes sussurram inoportunas.
Um bater de asas me faz sentir um frio na barriga e seca a boca!
Porque é tão difícil mover-se?
Vou contar até cinco... não não, até dez porque uso as duas mãos e ganho tempo pra
decidir se corro...
Um ladrar de cachorro ao longe, no meio da mata... que será? caçadores? ou estão no encalço de alguma fera?
Um, dois, três.... Valei-me Nossa Senhora do bom parto!
Mas não estou na hora do parto! Ah... foi a única que lembrei no momento, não tenho tempo para lembrar dos outros nomes...
Pego uma folha de figueira... se cair virada para cima eu corro...
Será que ao final daquela trilha vou chegar numa casa?
Ai meu Deus, alguma coisa está se movendo no mato...
É agora ou nunca... E se eu subir nessa árvore?
Onça também sobe... onça, tatu-peba, Saruê, chupa-cabra...
Rezo uma ave-maria... se rezar o rosário vale mais?
Um, um e meio, dois...
Que engraçado, tá mais fácil enxergar adiante...
Porque será? Penso na noiva, e até na filha da rainha Luzia...
será se ele existia mesmo ou era coisa daquela cobra doida?
Agora vejo mais longe... as vistas estão melhorando?
Não... eu acho que... acho que...
Caí de sono e tensão.
Amanheceu com raios vermelhos o céu do sertão.
grilos saltam de um lado para o outro
o pio da coruja torna a noite inquieta e sombria.
As folhas das palmeiras balançam como se chovesse.
No escuro tudo é mundo, tudo é incerto e cauteloso.
Qualquer ruído na palha do chão faz o coração bater acelerado e os olhos como faróis à procura de um vulto. Não sei se é melhor vê-lo ou imaginar que não foi nada.
Ao longe, em meio aos altos galhos passa uma fresta de luz da lua.
É Lua cheia. Causos existem sobre lua cheia. Vou parar de pensar neles.
Passa um morcego bem razante, tirando o pouco de tranquilidade de se andar .O barulho surdo da floresta à noite, misturado com todos os sons irreconhecíveis cria uma atmosfera bucólica e fantasmagórica...
Tenho que atravessar logo o escuro para chegar do outro lado
mas as pernas não se movem... Estou imóvel, esperando que talvez a noite acabe.
Faz pouco tempo que o sol se despediu... não tem jeito, é fugir do medo ou enfrentá-lo até o fim... Para fugir tenho que correr... para enfrentar tenho que ficar.
Que impasse, o coração saltitante não tem muita força pra decidir...
Vou pegar uma carreira e só parar quando tudo acabar...
O que pode acontecer? porque o escuro nunca é seguro?
Vai, vai, vai! árvores prenhes sussurram inoportunas.
Um bater de asas me faz sentir um frio na barriga e seca a boca!
Porque é tão difícil mover-se?
Vou contar até cinco... não não, até dez porque uso as duas mãos e ganho tempo pra
decidir se corro...
Um ladrar de cachorro ao longe, no meio da mata... que será? caçadores? ou estão no encalço de alguma fera?
Um, dois, três.... Valei-me Nossa Senhora do bom parto!
Mas não estou na hora do parto! Ah... foi a única que lembrei no momento, não tenho tempo para lembrar dos outros nomes...
Pego uma folha de figueira... se cair virada para cima eu corro...
Será que ao final daquela trilha vou chegar numa casa?
Ai meu Deus, alguma coisa está se movendo no mato...
É agora ou nunca... E se eu subir nessa árvore?
Onça também sobe... onça, tatu-peba, Saruê, chupa-cabra...
Rezo uma ave-maria... se rezar o rosário vale mais?
Um, um e meio, dois...
Que engraçado, tá mais fácil enxergar adiante...
Porque será? Penso na noiva, e até na filha da rainha Luzia...
será se ele existia mesmo ou era coisa daquela cobra doida?
Agora vejo mais longe... as vistas estão melhorando?
Não... eu acho que... acho que...
Caí de sono e tensão.
Amanheceu com raios vermelhos o céu do sertão.
segunda-feira, 3 de maio de 2010
De agora em diante
Falar de quê?
Falar pra quê?
Falar por que?
Já falamos tanto
Já brigamos tanto
Já pensamos muito
E voltamos tudo
Basta só chegar
Sentar e se olhar
Nada precisa falar
nem preciso dizer
Só me interessa o agora
o agora daqui adiante.
Falar pra quê?
Falar por que?
Já falamos tanto
Já brigamos tanto
Já pensamos muito
E voltamos tudo
Basta só chegar
Sentar e se olhar
Nada precisa falar
nem preciso dizer
Só me interessa o agora
o agora daqui adiante.
O menino que queria ser um pássaro
Quando eu era menino eu brincava de pássaro
Corria pela casa com um lençol sobre os braços em forma de asas
Passava pelo quintal correndo em disparada, e jurava que se desse
um vento forte eu ia levantar vôo e sair pelo mundo me divertindo lá do alto...
Hoje não brinco mais de pássaro. Mas a vontade não passou...
Cresce a vontade de sair por aí pelo mundo voando, voar desse lugar inóspito que é a vida humana moderna.
Tem hora para tudo! hora para acordar, hora para trabalhar
hora para almoçar, hora para voltar para casa e hora para dormir...
Só não tem hora para voar e sentir o gozo das pequenas coisas...
Assim, hoje sou um rebelde!!! E sou diferente de todos os outros...
Porque sonho só com o vôo, e para alguns poucos momentos
trabalho, como, volto pra casa e durmo... mas volto voando.
Porque descobri uma coisa agora adulto: Sempre fui um pássaro ao vento!
Corria pela casa com um lençol sobre os braços em forma de asas
Passava pelo quintal correndo em disparada, e jurava que se desse
um vento forte eu ia levantar vôo e sair pelo mundo me divertindo lá do alto...
Hoje não brinco mais de pássaro. Mas a vontade não passou...
Cresce a vontade de sair por aí pelo mundo voando, voar desse lugar inóspito que é a vida humana moderna.
Tem hora para tudo! hora para acordar, hora para trabalhar
hora para almoçar, hora para voltar para casa e hora para dormir...
Só não tem hora para voar e sentir o gozo das pequenas coisas...
Assim, hoje sou um rebelde!!! E sou diferente de todos os outros...
Porque sonho só com o vôo, e para alguns poucos momentos
trabalho, como, volto pra casa e durmo... mas volto voando.
Porque descobri uma coisa agora adulto: Sempre fui um pássaro ao vento!
domingo, 2 de maio de 2010
Velhos tempos, saudades...
Cheiro de fogão à lenha e Sabiá gorjeando no quintal
Um mormaço quente no sertão dá sono.
Há uma rede na varanda à minha espera.
Faz um barulho dos bois lá ao longe
misturando-se com o rulhar das rolinhas ciscando no quintal.
Uma casinha simples com chaminé e telhas escuras de fumaça
Tem um bule sobre a pia, e um filtro de água no canto.
Uma penumbra na casa e as janelas fechadas por causa da poeira no vento de agosto.
Na mesa de madeira rústica um oratório com a Virgem e o cheiro do café saindo do bule.
Nas paredes tortas e envelhecidas tem panelas, tudo limpinho, organizado e simples.
E quadro do Divino na parede, para lembrar da oração.
Da oração por chuva, por colheita boa... por uma vida amena.
Olho para longe, e vejo sobre a terra um trepidar do vapor
que mais parece miragem no deserto, chão seco.
O céu azul e limpinho, sem uma nuvem, nem uma esperança de chuva.
Lá adiante galhos retorcidos com alguns espinhos
e as cascas grossas das árvores nanicas.
Sinto saudades do sertão e do dia longo, da vida pacata e das noites de lua cheia,
do céu de mil estrelas e do breu no meu quarto.
De pensar no mundo, que terminava ali no horizonte
da vida simples do sertanejo.
Hoje vejo janelas, olho mais pro alto e vejo gente
atarefadas em suas caixinhas de fósforo.
Luzes acesas por todos os lados.
E gente conversando o tempo inteiro
O céu é longe e distante, as estrelas se apagaram pela metade.
O mundo agora começa além do horizonte, e tem muito mais gente por lá...
A cafeteira me sobressalta com sua campainha... Tempos modernos.
Velhos tempos, velhos pensamentos...
Saudades. Saudades do que nunca vivi.
Um mormaço quente no sertão dá sono.
Há uma rede na varanda à minha espera.
Faz um barulho dos bois lá ao longe
misturando-se com o rulhar das rolinhas ciscando no quintal.
Uma casinha simples com chaminé e telhas escuras de fumaça
Tem um bule sobre a pia, e um filtro de água no canto.
Uma penumbra na casa e as janelas fechadas por causa da poeira no vento de agosto.
Na mesa de madeira rústica um oratório com a Virgem e o cheiro do café saindo do bule.
Nas paredes tortas e envelhecidas tem panelas, tudo limpinho, organizado e simples.
E quadro do Divino na parede, para lembrar da oração.
Da oração por chuva, por colheita boa... por uma vida amena.
Olho para longe, e vejo sobre a terra um trepidar do vapor
que mais parece miragem no deserto, chão seco.
O céu azul e limpinho, sem uma nuvem, nem uma esperança de chuva.
Lá adiante galhos retorcidos com alguns espinhos
e as cascas grossas das árvores nanicas.
Sinto saudades do sertão e do dia longo, da vida pacata e das noites de lua cheia,
do céu de mil estrelas e do breu no meu quarto.
De pensar no mundo, que terminava ali no horizonte
da vida simples do sertanejo.
Hoje vejo janelas, olho mais pro alto e vejo gente
atarefadas em suas caixinhas de fósforo.
Luzes acesas por todos os lados.
E gente conversando o tempo inteiro
O céu é longe e distante, as estrelas se apagaram pela metade.
O mundo agora começa além do horizonte, e tem muito mais gente por lá...
A cafeteira me sobressalta com sua campainha... Tempos modernos.
Velhos tempos, velhos pensamentos...
Saudades. Saudades do que nunca vivi.
Inverso
Tenho nas mãos uma pena
Sob os olhos um papel
No coração a espera
E no meu corpo o seu cheiro
Queria ter nas mãos o seu corpo
Sob os olhos seu semblante
No coração a chegada
E no meu corpo você...
Sob os olhos um papel
No coração a espera
E no meu corpo o seu cheiro
Queria ter nas mãos o seu corpo
Sob os olhos seu semblante
No coração a chegada
E no meu corpo você...
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