quarta-feira, 10 de março de 2010

Performance Póstuma

Faces em chama
sopro sem força
som sem vida saem sem graça
Faltou o devido empenho
Faltou decidir-se com vontade
Espera nascer raízes?

Não, nunca!
Nunca me entregarei!
Haja o que houver, nem que seja
o último suspiro.
Chega de desculpar-se consigo
Trabalha.
Ora.
Cria.

A porta que separa

Toc, toc, toc

Quem bate?

Sou eu, seu grande amor!

Nossa, que demora...

Abra a porta. Ainda pensa em mim?
(silêncio)
Recorda o olor de minha pele?
Acaso esqueceu-se dos meus lábios?
Porque o silêncio?

Psiu!!!! Estou aspirando inebriado
e recordando o calor quente do beijo
Para quando eu abrir a porta
não confunda o sonho com a realidade.

terça-feira, 9 de março de 2010

Crepúsculo

A noite chegou mais cedo,
escureceu de repente,
tudo emudeceu...
Mas se vc segurasse
para sempre minha mão
o céu se abriria em eterna flor!

segunda-feira, 8 de março de 2010

Um Passo para começar

Preciso de um passo para começar
nenhum paço vale os meus pés no caminho
Todo dia a gente se engana
Todo dia é um constante recomeçar

Quando se sente que tudo está revirado
Quando o mundo parece parar
Quando o coração parece pifado
Eu lembro de quando era criança

Corria sem eira e sem destino
Sonhava com o futuro encantador
E ele era tão mais profundo que hoje
Era bom ser o menino caçador

Hoje vejo muita coisa ruir
A areia foge da minha mão apertada
É forçando mais que se perde
Estou longe da minha história encantada

Ah se eu pudesse ser menino
Com o futuro inteiro de sonhos
Eu correria pelos campos
Eu te daria um mundo até os punhos

Mas lá fora os trovões me acordam
O menino vive apenas na lembrança
A liberdade toda que eu sonhava
Não é tão livre e não há fiança

Preciso de um passo pra começar
aprender andar sem ser com você
Se fosse menino ia correr e gritar
Mas o adulto em mim apenas se cala

Você não é mais o mesmo você.

sábado, 6 de março de 2010

O presente

A vida é efêmera. Hoje pude notar essa afirmativa de uma maneira bem ímpar. Pessoas nascem, crescem, envelhecem e morrem. Algumas saltam de um ciclo para o outro, e o porquê, a gente ainda não tem resposta.

Hoje vi a mãe e o irmão do meu vizinho falecido no seu apartamento para verificar causas de um problema de infiltração com o síndico. E pensei comigo mesmo: a gente vem nesse mundo, atua como se atua num palco, num espetáculo e, em algum momento temos o final do show. O fim de nossa vida, pelo menos nesse tempo e espaço.

Lembro-me ainda de toda a vitalidade do vizinho, de sua tranquilidade, do cuidado e amor com o seu filhinho criança ainda. Lembro-me que ele também trabalhava muito em seu consultório, e o via, às vezes, chegar tarde em casa. Nunca vi festas ou diversões em seu apartamento, só mesmo o silêncio e a sua cortesia constante de nunca ter causado incômodo aos demais condôminos.

E hoje, um mês após seu falecimento me surpreendi pensando na vida deste homem que nunca conheci além dos bons dias de corredor e das boas noites na garagem do prédio. Era novo ainda, e foi acometido por uma doença incurável que corroeu-lhe as entranhas e tirou-lhe a vida em questão de poucos meses. Quando soubemos do seu relativo sumiço descobrimos também que ele estava em seus últimos dias e em menos de uma semana já não estava mais aqui neste plano.


É uma pena que alguns saltem os ciclos naturais da vida e, ainda muito cedo, retornam ao plano espiritual. E isso me fez pensar sobre os momentos em que, diante de algumas dificuldades que nós mesmos criamos para nós, impedimos que naquele momento pudéssemos degustar da vida tudo o que ela poderia nos oferecer, com uma alegria e satisfação próprias daquela hora, daquele momento.

Nunca uma situação é igual a outra, nunca um sorriso é igual ao outro, nunca um bom dia é igual ao outro, nunca um beijo, mesmo após mil beijos, será igual ao outro. Porque existe uma corrida do tempo, minuto após minuto. E o minuto que esquecemos de viver intensamente não voltará mais. Virão outras centenas ou milhares de minutos, mas nunca aquele que deixamos para trás.

É por isso que devemos fazer de cada momento em nossa vida um instante importante. Viver da melhor forma aquele minuto, aquela hora, aquele dia, aquela época. E viver não significa passar despercebido os minutos. Viver não significa apenas passar pelo tempo. Isso não é viver, é passear. Ter a consciência de que o tempo de ser feliz, o tempo de amar, o tempo de sorrir e de agradecer por tudo é agora. Porque nenhum instante ou momento futuro é digno de ser mais importante que o tempo atual.

Temos a falsa sensação de que dias melhores virão. De que seremos felizes quando, num tempo futuro, alcançarmos determinados projetos, quando um Ser-tempo-futuro permitir como num passe de mágica atingirmos o instante de ser feliz. Lançamos sempre para frente a nossa felicidade, condicionando-a a fatos futuros, à circunstâncias que ainda irão se concretizar, ou que no plano de nossas idéias poderão ou não vir a se tornar realidade.

O momento de decidir é agora, o momento de sorrir é agora, o momento de se dizer com toda sinceridade um "eu te amo" é agora. O momento de se casar ou descasar é agora, o momento de sermos felizes é este exato momento. Precisamos deixar de criar tantas expectativas para o momento futuro. Mas isso não significa viver treslocadamente sem pensar adiante, mas sim não jogar toda a responsabilidade de bonança, felicidade, realizações e conquistas para o pós presente.

Não sabemos o quanto de futuro temos pela frente, não temos nenhum controle sobre ele. Mas temos o controle do nosso tempo presente, do agora, e podemos fazer dele o melhor instante para realizações e conquistas. Então, viva! Viva intensamente o presente, e deixe que o futuro venha, e se vierem realizações, aceite-as como um lucro, sempre como um plus do nosso momento presente.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Mãos não são apenas mãos

Minhas mãos querem tocar-te
Teu toque manso e leve
Mãos que deslizam por mãos
São mãos, finas e delicadas mãos

Há Mãos que podem ser perversas e outras de se enternecer
Há Mãos que dizem adeus e mãos que impedem partida
Há Mãos que tiram vidas e mãos que aparam o novo ser
Há mãos que afastam tudo e mãos que se acolhem vivas

Minhas mãos querem as tuas
Tuas mãos ainda inquietas
Mãos que esperam pacientes
Por horas eternas em festa

Há mãos que apertam e matam e mãos que matam de apertar
Há mãos que seguram mãozinhas e outras que as deixam sozinhas
Há mãos trêmulas e velhinhas e mãos jovens tão mesquinhas

Tuas mãos seguram as minhas
E abrigam todos meus sonhos
São sonhos lindos, Dorinha
Sonhos de uma vida inteira, sonhos!

Minhas mãos esperam as tuas
Para apertar-te contra meu peito
Na acolhida de uma nova vida
Ah mãozinhas, não me percam!

Mãos, felizes e entrelaçadas mãos
Mãos falam mais que mil palavras
Mãos agem mais que um batalhão
Mãos seguram o mundo, o meu mundo em suas
Mãos...

Corre Pretinho!

Há um pretinho no tempo
Ainda não achou o seu lugar
Porque escolhas existem
Mil coisas ‘inda pra pensar

Corre, pretinho, corre que agora vai chover
Uma chuva que lava e limpa
O medo de viver
Tanto tempo pode ser curto
Pra que tentar se conter?

Um pretinho tem histórias
Coisas que no seu coração recorda
Dias difíceis já se passaram
Não há mais tronco e nem mais cordas

Corre, pretinho, corre, porque o tempo nunca pára
E enquanto ficas parado, as águas do rio correm
Descem rápido por curvas sinuosas
E se não se apressar no seu barquinho
Não verás ainda viva, na margem, a linda rosa.

O vento sopra rápido, e leva pra longe as plumas do amor
Corre, pretinho, corre... não perca tempo aí parado
Porque lá no meio do mato, ser perdido causa dor
Mais vale a liberdade livre, que a liberdade sem amor

Corre, pretinho, corre, vem ligeiro com o vento
Lá na cama sofre nhazinha, amarela e terna
No ultimo suspiro espera
A chegada do seu pretinho, que jurou amor eterno
Corre, pretinho, corre...